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Dívida brasileira assusta?

Por Quê? Economês em bom português

13 de dezembro de 2017

A CONVERSA: O nível atual da dívida do governo brasileiro precisa diminuir? Ou ainda há espaço para expandir gastos?

NOSSA OPINIÃO: A dívida do governo brasileiro precisa ser estabilizada. Ela vem crescendo sucessivamente e já equivale a 75% da produção nacional, o que pode colocar o país numa rota de alta de juros, baixo crescimento e eventual insolvência no futuro.

E vai crescer mais, sem a menor sombra de dúvida. Isso é inevitável, dado o crescimento anêmico, a taxa de juro real ainda elevada e os resultados primários do governo projetados para os próximos anos: vamos seguir gastando mais (sem incluir o pagamento de juros, vejam bem) do que arrecadamos por um bom tempo.

Isso se tudo der certo. Se não tiver reforma fiscal séria, vamos gastar mais do arrecadamos por muitos anos. Antecipando que isso geraria uma crise lá na frente, as pessoas pararão de emprestar para o governo já hoje. E aí, cabum!

Crise, vocês sabem, é crise, catástrofe social. Mas mesmo que ela não venha (cenário que vai passando de provável para um mais minguado possível), uma dívida alta para padrões de economias emergentes constitui obstáculo a um crescimento mais pujante da economia. Os motivos são os seguintes:

1) Dívida alta é sinônimo de juro alto via risco mais elevado, e juro alto atrapalha investimento.

2) Na hora de investir, as pessoas tentam calcular, mais ou menos, quanto precisarão pagar de impostos ao longo da vida útil do seu investimento, para ver se vale a pena. Se o governo tem uma dívida grandalhona, fica no ar a expectativa de que ele precisará aumentar impostos no futuro para pagar as contas, ou…

3) Ou vai precisar imprimir grana, gerando inflação e confusão. A outra saída é um calote, que gera uma confusão hipertrofiada com esteroides. Vejam, caros leitores, é possível que a crise nem sequer ocorra. Mas o que importa é a probabilidade que as pessoas atribuem a esse evento megadisruptivo.

É bem difícil testar isso nos dados, por causa do velho problema conhecido nos meios literários mais rigorosos como controvérsia “ovo-galinha”. Se nos dados noto um padrão do tipo dívida alta e crescimento baixo, seria isso devido a muita dívida causando crescimento menor; ou ao fato de que um crescimento menor gera menos arrecadação e isso faz com que a dívida se eleve? Como dizia o príncipe Siddhartha, a verdade provavelmente está no meio do caminho. Em economês: a causalidade corre nos dois sentidos.

A dívida do Brasil é mesmo grande assim de meter medo? Se você compara com a de países ricos, não. Mas é uma comparação meio sem sentido. Primeiro, porque esses aí pagam juro perto de zero ou negativo sobre seu estoque de dívida. Segundo, porque as pessoas têm —e com razão— mais paciência com um rico endividado do que com um país de renda média endividado. E no âmbito desse último grupo, estamos meio mal na foto.

O Brasil precisa reequilibrar receitas e despesas (ajuste fiscal) se quiser crescer. Não é papo de ortodoxo isso não; o contrário é que é insanidade.

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