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Nossas vidas têm preço?

Por Quê? Economês em bom português

14 de dezembro de 2017

A CONVERSA: O estado deve pagar por todos os tratamentos médicos, com o objetivo de salvar a vida de cada cidadão? Ou deve usar critérios mais rigorosos, para preservar as finanças públicas?

NOSSA OPINIÃO: A judicialização da saúde pode ser danosa para o próprio sistema de saúde. É necessário rever alguns critérios para que mais gente possa ter acesso aos tratamentos.

No filme “Perdido em Marte” (2015), o personagem do ator Matt Damon é dado como morto. Ele é deixado para trás quando colegas de uma estação espacial decidem evacuar o planeta por causa de uma tempestade destruidora.

Por sorte, o astronauta sobrevive. Depois, por meio de grande engenhosidade, resiste aos primeiros meses sozinho em solo marciano, até ser avistado por telescópios da Nasa.

Na segunda metade do filme, acompanhamos o planejamento e a execução da tentativa de resgate. Esse esforço, estima um cientista australiano, custaria na vida real a bagatela de US$ 200 bilhões — é mais que o valor de todos os bens e serviços produzidos no Brasil em um único mês!

O lugar-comum reza: a vida humana não tem preço. Mas, convenhamos, nem o presidente do fã-clube do Matt Damon gostaria de pagar um preço tão alto para trazer de volta seu ídolo.

Podemos até dizer, da boca para fora, que o valor de uma vida humana é infinito. Mas nossas ações mostram que não.

Quando escolhemos uma profissão, por exemplo, colocamos na balança os riscos e a remuneração prometida.

Com o mesmo salário que você recebe agora, talvez não topasse morar num lugar onde seja mais arriscado viver. Mas o que acha de R$ 1 milhão por ano na sua conta? Por essa quantia, muitos de nós faríamos nossas malas agora mesmo para Bagdá.

Olhemos agora para as escolhas de meios de transporte. Na balança, são colocados o conforto de uma ida mais curta, o preço da viagem e os riscos.

Se duas companhias de ônibus vão do Rio para São Paulo pelo mesmo preço, pesamos na escolha, por exemplo, uma reputação melhor de segurança. Agora, se a diferença de preço for grande demais e a mais barata for aquela do ônibus com pneus carecas…

Vejamos: nosso comportamento responde a um valor da vida finito, não infinito. Estimativas baseadas nas decisões de trabalhadores nos Estados Unidos indicam algo na casa dos US$ 5 milhões. Como o Brasil é mais pobre que os Estados Unidos, nossas decisões, provavelmente, indicam um valor menor.

Uma consequência importante diz respeito à provisão de saúde pública: assim como o resgate do viajante espacial vivido por Matt Damon nos cinemas, alguns tratamentos podem ser caros demais para valer a pena.

No Brasil, no entanto, essas decisões nem sempre são feitas por médicos nem ancoradas pelo orçamento do SUS. Às vezes, acabam nas mãos de juízes, que concedem liminares a pacientes sem levar em consideração o custo do tratamento pleiteado.

O problema: tratamentos mais caros e pouco eficientes ficam com recursos públicos que poderiam ser usados para terapias mais baratas e de eficácia garantida.

Quantas crianças pobres com disenteria podemos salvar se deixarmos o Matt Damon lá em Marte?

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