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Por que Sobral é referência em educação pública no Brasil?

Por Quê? Economês em bom português

14 de dezembro de 2017

A CONVERSA: É preciso gastar mais com educação? Ou se trata principalmente de um problema de gestão, como sugere o caso de Sobral?

NOSSA OPINIÃO: Sobral nos ensina que, na educação, gastar melhor é mais importante que gastar mais. E a formação do professor está no centro de tudo.

O desempenho excepcional da criançada nas escolas públicas do estado do Ceará, em particular do município de Sobral, foi o grande destaque do Índice de Desempenho da Educação Básica (IDEB) de 2016.

A nota no IDEB consiste de dois componentes: (1) o desempenho médio dos alunos na Prova Brasil e (2) o tempo que eles levam, em média, para completar cada série.

Quanto mais os alunos repetem o ano, mais é descontado das notas médias. Ou seja, esse método de avaliação pune sistemas educacionais ineficientes.

Portanto, ainda que escolas cearenses tivessem as médias mais altas na Prova Brasil (alguns estados de Sul e Sudeste estão à frente), não seria essa a razão de tamanho sucesso.

Por que então as escolas do Ceará são tão eficientes?

Porque seus alunos precisam passar menos tempo em cada série para sair da escola sabendo.

Mas como assim? Sobral, um município de um estado relativamente pobre como o Ceará, é referência em educação no Brasil? Alguma mágica cearense? Ou esse  sucesso resulta de mais recursos públicos, de salários bem altos, de instalações caríssimas?

Não. Certamente não foi por gastar mais que o Ceará despontou. Seus municípios gastam apenas uma fração daquilo que cidades mais ricas de Sul e Sudeste investem no setor. Mas também não foi mágica.

O segredo de Sobral e do Ceará é que o dinheiro que chega é usado eficientemente, dentro de uma estratégia educacional coerente; os municípios, encarregados de tocar as escolas fundamentais, são incentivados monetariamente para entregar resultados.

A Secretaria de Educação estadual distribui material escolar e treina os professores nas melhores técnicas de alfabetização; inspetores escolares visitam as escolas para acompanhar o progresso da implementação do programa; e – talvez o mais importante – o governo estadual premia com grana aqueles municípios de melhor desempenho em testes de alfabetização.

Fica a lição: com boa administração, mais pode ser feito com menos. Falta de recursos não é muleta ou desculpa. Que os outros estados aprendam com a experiência cearense.

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